COMO A CULTURA DE LIDERANÇA DA ESCOLA PODE MATAR OU ALAVANCAR QUALQUER PROPOSTA DE MUDANÇA EDUCACIONAL

 

Professor, você se vê como um líder?

Talvez nunca tenha se perguntado isso e nem mesmo seus colegas professores tenham sequer sugerido tal reflexão.

Na verdade, pesquisas feitas com professores em vários países têm apontado quase o mesmo resultado: a maioria dos professores não se vê como líderes.

Qual a razão disso?

Podemos elencar alguns possíveis fatores como:

  • a visão equivocada de que um líder é apenas a pessoa que possui um cargo administrativo
  • a ideia errônea de que quando o professor está na sua função de orientador ou facilitador não está numa posição de líderança
  • a falsa noção de que liderança é algo requerido somente pelo mundo corporativo
  • a estrutura administrativa das escolas, ainda engessada na burocracia, que não dá oportunidades para a liderança do professor e nem estimula ou valoriza tal papel
  • em países com pouca tradição democrática, a figura do professor quase sempre é esvaziada de um significado de liderança
  • a própria perda de identidade do professor diante das mudanças sócio-culturais e tecnológicas contribuem para que ele se sinta “apagado” e se recolha a uma posição de desmerecimento e baixa estima

Estes são fatores que criam uma cultura de liderança nas escolas muito desvinculada do professor, relegando-o a um papel meramente técnico ou burocrático.

Mas há sim elementos de liderança nos professores, mesmo que eles não estejam conscientes deles.

 

REFLETINDO SOBRE SI MESMO COMO UM LÍDER

Levou tempo, muito tempo para eu aceitar a ideia de que, como professor, eu era também um líder, assim como alguém que ocupa uma cadeira administrativa ou que dirige uma equipe.

Isso porque eu estava assumindo a definição tradicional e ultrapassada de liderança.

Eu não ocupava nenhum cargo administrativo e muito menos possuía algum título que me definia como tal – como diretor, por exemplo.

Também não possuía nenhum certificado que conferisse a mim a posição ou as responsabilidades de um líder.

Mas eu era um líder – para os meus alunos e meus colegas – porque liderança tem muito mais a ver com o modo como nós pensamos sobre as coisas que fazemos e por que as fazemos do que propriamente com títulos ou graduações.

E eu imagino que muitos de vocês são líderes, quer vocês estejam conscientes disso ou não.

Você se vê como um líder na sua escola?

Reconhece em você as qualidade de um líder?

Para entender melhor sobre a liderança na escola, continue lendo este artigo.

Você irá aprender sobre:

  • Como identificar quem exerce liderança informal na sua escola
  • Qual é a cultura de liderança na sua escola e como ela influencia positiva e negativa o processo educativo
  • Como o pensamento sistêmico pode resolver problemas de liderança por meio de constelações sistêmicas
  • Cuidados sistêmicos que se deve ter para alinhar a liderança ao processo de mudança na escola.

Parece interessante? Então compartilhe este post com seus colegas a fim de criarmos uma nova cultura de liderança em nossas escolas.

 

QUAL O MODELO DE LIDERANÇA DA SUA ESCOLA?

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A liderança daqueles que não possuem cargos ou títulos é o que podemos chamar de liderança informal.

E a liderança informal pode ser positiva ou negativa para a escola ou qualquer outra organização.

Agora, pense sobre a sua escola.

Quais opiniões e idéias são mais respeitadas e ouvidas pelo pessoal?

Além dos administradores e coordenadores, quem mais possui influência sobre o pessoal?

Quem fala mais alto? Quem é respeitado? Quem é temido?

Agora, imagine-se no contexto da sua escola como um líder. Isso lhe dá entusiasmo ou medo?

Sente-se à vontade imaginando-se nessa posição?

O que significa para você ser um líder?

O que seria possível realizar na escola caso você estivesse num papel de liderança?

Quais seriam os facilitadores e os obstáculos à sua liderança e aos seus projetos?

Como lidaria com eles?

Eu tenho plena convicção de que para a transformação da escola necessitamos de professores líderes. Cada vez mais de professores líderes. Os que já são conscientes disso e aqueles que ainda estão adormecidos.

Mas não antes que haja uma profunda reflexão sobre o que é ser líder na escola e quem são esses líderes.

E, mais ainda, não antes de uma reflexão sobre as crenças a respeito do poder.

Afinal, liderança e poder são duas coisas que estão em ressonância uma com a outra. E os tipos de liderança que se manifestam na escola são produtos das crenças individuais e coletivas sobre o que é o poder e como ele deve ser exercido.

É a cultura de liderança presente na escola.

No Brasil, onde a democracia ainda é jovem e não totalmente impregnada na cultura administrativa das escolas, a liderança aparece muitas vezes tingida por tons carregados de autoritarismo e conservadorismo.

Há escolas em que a cultura de liderança que permeia as relações de professores e gestores ainda está repleta de signos que refletem uma crença de poder como controle, manutenção de padrões, desmotivação à mudança e inovação, culto à tradição e exercício da fiscalização e vigilância.

Mas há outras em que a liderança se expressa como uma disposição apaixonada diante dos desafios. Como comprometimento com a busca de soluções e com o impulso para a mudança. Onde a cultura que permeia as relações é de diálogo, compreensão, responsabilização coletiva, motivação mútua, valorização das ações proativas e abertura para a mudança de padrões.

Por isso, é necessário que se faça uma reflexão sobre os modelos de liderança valorizados pelos professores e gestores.

Quais são os líderes que eles mais admiram? Progressistas? Conservadores? Democráticos? Autoritários?

Quais são os discursos que o pessoal da sua escola repercute? Os reacionários ou revolucionários? Há uma ideologia dominante na escola?

Qual é o tipo de pessoa que assume a liderança informal na escola? Ela tem mente aberta ou fechada à inovação? Ela reproduz a tradição ou aponta para uma mudança de padrões? Como ela se relaciona com seus pares?

Que tipo de liderança a escola está acostumada a seguir? Linha dura ou flexiva? Aberta ao diálogo ou arbitrária? Fiscalizadora ou facilitadora?

Como os lideres informais conquistaram essa posição? Por meio de subserviência ao stablisment ou por meio de proposições transformadoras?

Tais questões servem para que se trace um mapa mais ou menos fiel da cultura de liderança da escola.

Qualquer iniciativa transformadora da escola precisará partir deste mapa e dos pontos nele assinalados que representam impeditivos ou facilitadores para a mudança.

 

A LIDERANÇA E SEU LUGAR SISTÊMICO

A liderança necessita estar em perfeita harmonia com o sistema onde atua: a escola.

Mesmo uma pessoa altamente capaz e promotora de uma cultura de liderança que seja democrática pode vir a representar um problema caso o sistema escolar não esteja em condições de absorver isso.

Do ponto de vista do Pensamento Sistêmico, os líderes em questão são os formais – aqueles que detêm cargos superiores na hierarquia.

Eles ocupam o lugar sistêmico semelhante ao dos pais no sistema familiar.

Se exclusões e inversões da ordem causam distúrbios no sistema familiar, o mesmo ocorre com a escola.

A remoção, desconsideração, rebaixamento ou substituição forçosa de um indivíduo que ocupa um cargo de liderança formal é uma violação da Lei da Ordem Sistêmica e, inevitavelmente, isso produzirá sintomas que impactarão na organização e na conquista de resultados pela escola.

Por exemplo, numa escola onde o coordenador foi substituído por um professor mais velho de casa a dinâmica se assemelha a de uma família onde o pai se ausenta e é substituído pelo filho mais velho.

O filho fora de seu lugar sistêmico poderá sucumbir às expectativas colocadas sobre seus ombros. Afinal, naquele sistema ele é filho e não pai. O mesmo aconteceu com o professor que se tornou coordenador e que, após algum tempo, passou a procrastinar em suas decisões e ações, coisa que não fazia quando ocupava apenas a sua posição de professor.

Apesar de sua competência e de seu modelo de gestão mais afeito às inovações, ele se detinha em desenvolver suas iniciativas.

A procrastinação era o resultado de um bloqueio inconsciente.

Uma constelação sistêmica revelou um movimento de fuga do representante do novo coordenador que olhava fixamente para o seu antigo posto de professor.

“Não me sinto no meu lugar e me vejo sem autoridade para agir. Portanto, evito tomar decisões ou agir como coordenador”.

Sua capacidade de liderança não fluía quando estava exercendo o cargo de coordenação. Como professor, entretanto, exercia forte influência sobre o pessoal.

A solução sistêmica sugerida pelo facilitador da constelação organizacional foi buscar a “benção” do antigo coordenador, como o filho recebendo a benção do pai.

Ficou claro que o jovem coordenador sentia-se obrigado a seguir os passos do antigo coordenador e copiar seu modelo de gestão. Isso criou pesadas expectativas e bloqueios à ação.

A “benção” do antigo coordenador foi no sentido de libertar o novo da necessidade de seguir seus passos, o que o representante fez sem grandes dificuldades. Isso comprovava que a sucessão havia ocorrido de forma tranquila. O antigo coordenador havia se aposentado.

O representante do novo coordenador na constelação repetiu frases sistêmicas de honra ao legado do antigo coordenador, como forma de  cumprir e reforçar a Lei da Ordem Sistêmica.

Honrando o legado deixado por quem veio antes e recebendo a “benção” deste, o representante do novo coordenador foi capaz de sentir-se no seu lugar de líder sem incômodo ou sem senso de inadequação.

Uma vez feito o rearranjo sistêmico da escola e do próprio novo coordenador, este foi capaz de desenvolver seu próprio modelo de gestão e liderança, potencializando o que tinha de melhor – a capacidade de agregar os professores em projetos com coesão e harmonia.

A história descrita acima nos traz alguns pontos importantes que devem ser levados em consideração, especialmente quando estamos em busca de uma transformação na estrutura e funcionamento da escola.

Um modelo de liderança que sempre foi conservador e tradicional não pode ser substituído de uma hora para outra por um modelo mais progressista sem que um arranjo sistêmico seja feito.

Especialmente se a cultura de liderança da escola é diferente da que se pretende adotar.

Por mais que o modelo de liderança anterior possa estar ultrapassado, jamais deverá ser desconsiderado. Seus erros e acertos devem fazer parte da história da instituição e honrados. A exclusão disso gerará distúrbios no sistema e sintomas negativos na organização escolar.

Todos devem ter em mente que a gestão anterior, apesar dos problemas que possam ter ocorrido, fez o seu melhor dentro dos limites daquele sistema. É importante que este passado seja incluído e reverenciado.

É fundamental perceber se há algum membro do pessoal do grupo que esteja se identificando com a antiga gestão. Por lealdade ao sistema anterior, professores e outros agentes podem assumir posturas de conflito, caso não seja honrada a antiga gestão. Deve-se realizar um trabalho sistêmico para desfazer essa identificação.

Uma vez realizado o arranjo sistêmico, o novo gestor deve desvincular-se do passado, sem deixar de incorporá-lo e honrá-lo, e apostar no desenvolvimento do seu próprio modelo de gestão.

 

A MUDANÇA VIRÁ COM FACILIDADE APÓS UM REARRANJO SISTÊMICO HARMÔNICO

Somente a partir de um arranjo sistêmico é que podemos realmente empreender uma iniciativa de mudança da escola, caso contrário, o sistema não irá assimilar a proposta de mudança.

Um exemplo bastante comum é a questão da avaliação.

Talvez este seja um dos pontos mais difíceis de ser mudado numa escola.

A mudança de um modelo de avaliação do meramente classificatório para a Avaliação Formativa gera intensos debates e ferrenhas resistências.

Não é meu objetivo neste artigo tratar da avaliação, mas tudo o que foi exposto sobre liderança também tem seu significado sistêmico na avaliação, ou qualquer outra dimensão da Educação.

E somente lideranças bem colocadas sistemicamente poderão inspirar a autoridade e confiança para conduzir uma mudança na prática avaliativa dos professores.

Afinal, esta deverá ser precedida de uma mudança de mentalidade que é originária da cultura sobre avaliação.

Essa cultura é forte, e impregna todos os sistemas escolares, seja com maior ou menor impacto. E dirige a maior parte dos esforços avaliativos dos professores.

Faz-se urgente um trabalho de transformação sistêmica para que novos líderes e novas mentalidades ocupem seus lugares sistêmicos de forma harmônica.

Para que uma nova cultura de liderança se estabeleça nas escolas e no fazer pedagógico.

A partir daí, as mudanças na educação passarão a ser efetivas e duradoras.

Preparado para pensar na sua escola e nas mudanças que pode haver nela de forma sistêmica?

Você quer conhecer mais sobre o Pensamento Sistêmico aplicado à Educação e aprender técnicas sistêmicas para aplicar no seu contexto escolar?

Então coloque o seu email no final da página (é grátis) e você receberá recursos e estratégias para mudar a realidade da sua sala de aula e da sua escola.

Leitores inteligentes já recebem essas informações. Junte-se a eles nessa jornada!

Vamos formar uma corrente de renovação dos modelos de liderança na escola.

Estamos vivendo numa época fabulosa em que somente novas lideranças estarão capacitadas para enfrentar os desafios com criatividade e inovação.

Compartilhar nossos conhecimentos e experiências é uma forma de fazer parte dessa poderosa onda de renovação.

E você pode fazer a sua parte!

Compartilhe este artigo com seus colegas e amigos e conecte mais pessoas no Movimento Sistêmico de transformação e cura social.

O futuro conta também com você!

Um forte Abraço.

Carlos Harmitt

Fontes de consulta:

http://www.esoterikha.com/coaching-pnl/o-professor-lider-lideranca-na-escola-e-na-sala-de-aula-archarm.php

https://www.pressworks.com.br/noticias/lideranca-4-dicas-jovens-profissionais-que-assumem-cargos-chefia/527

http://www.ascd.org/publications/educational-leadership/sept07/vol65/num01/The-Many-Faces-of-Leadership.aspx

http://www.edutopia.org/blog/reflecting-yourself-leader-elena-aguilar

 

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Carlos Alberto Harmitt

Carlos Alberto Harmitt

Mestre em Educação e pesquisador do Pensamento Sistêmico e da Pedagogia Sistêmica, quer ajudar você a transformar a escola e a educação.

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