5 PRÁTICAS SIMPLES QUE VÃO INOVAR SUA AULA (GARANTIDO!)

 

Você já viveu isso?

Você frequenta cursos de capacitação, encontros de formação continuada, compra e lê livros sobre novas teorias e práticas em sala de aula.

Sente-se inundado de novas idéias e com grande motivação para voltar à sala de aula e colocar tudo em prática.

Mas algo acontece.

Parece que a magia inicial passa e, quando  você tenta por em prática o que aprendeu, sente-se perdido no meio de tantas estratégias e não sabe qual  delas escolher ou por qual começar.

Ou ainda, a motivação desaparece quando se depara com a rotina muitas vezes frustrante da  escola.

Alguns desses elementos desmotivadores e impeditivos podem ser:

  • Falta de tempo
  • Falta de recursos
  • Falta de apoio organizacional
  • Falta de apoio dos colegas
  • Insegurança do professor
  • Falta de foco e critério na adoção de estratégias
  • Ambiente pouco aberto às mudanças

Nós, professores inovadores, somos incansáveis na busca de novas abordagens e técnicas para aplicarmos aos nossos alunos.

Mas para que não nos percamos dentro da nossa “sacola de truques pedagógicos”, é fundamental que nos concentremos em propósito e intencionalidade e não em quantidade.

Mais importante do que tentar algo novo é a razão pela qual estamos fazendo isso.

Quando você sente vontade de aplicar uma novidade em sala de aula, tem consciência plena do que pretende com isso?

Ou está apenas cedendo ao desejo de fazer algo diferente?

Há um objetivo claro?

Há metas bem definidas?

Você sabe listar todos os resultados que espera obter com a nova prática?

Segundo o pesquisador educacional John Hattie, em seu livro Visible Learning for Teachers: Maximizing Impact on Learning (Aprendizagem visível para os professores: maximizar o impacto na aprendizagem), a adoção de novidades em sala de aula deve ter menos a ver com os desejos inconscientes dos professores e mais com uma compreensão obtida através do olhar dos alunos.

Ou seja, o propósito de toda a inovação em sala de aula deve estar ancorado na potencialidade de aprendizagem dos alunos, em vez de servir meramente à satisfação dos desejos do professor.

Inovar para aprender melhor e não inovar para apenas fazer diferente.

John Hattie passou 15 anos pesquisando o impacto na aprendizagem de alunos que foram submetidos a práticas inovadoras em sala de aula.

Das práticas em sala de aula estudadas por ele, gostaria de explorar  5 que considero  que realmente causam impacto positivo e efetivo na aprendizagem.

Algumas dessas práticas já vêm sendo discutidas há algum tempo no meio docente, porém são poucos os que as colocaram em ação com boa vontade e persistência.

Gostaria de conhecer quais são essas 5 práticas de impacto?

Então, continue lendo este artigo se você está em busca de inovações educacionais que realmente fazem a diferença com resultados efetivos.

Você aprenderá:

  • Como tornar claro aos seus alunos o que espera que eles aprendam
  • Como usar a interação entre os alunos a favor da aprendizagem
  • Como orientar seus alunos a partir de resultados obtidos
  • Como avaliar seus alunos ao longo do processo de ensino-aprendizagem
  • Como promover a autorreflexão do aluno sobre seu desempenho

Parece interessante? Então compartilhe este artigo com seus colegas e vamos juntos renovar as práticas em sala de aula.

#1: SEJA CLARO SOBRE O QUE VOCÊ ESPERA DO ALUNO

Como você se sente sobre a sua capacidade para esclarecer suas idéias aos alunos?

Os alunos têm dificuldade em compreender o que você propõe a eles?

Que dificuldades você costuma enfrentar para esclarecer suas propostas de trabalho?

A clareza na comunicação é um elemento fundamental no processo de ensino-aprendizagem.

E isso não se limita à capacidade didática do professor em explicar seu conteúdo disciplinar.

Muito mais que isso, a comunicação entre professor e aluno deve estar carregada de intencionalidade.

Ou seja, deve ficar claro o que você quer que os alunos desenvolvam em termos de:

  • Conhecimentos (O que você quer eles saibam sobre um determinado tema)
  • Procedimentos (O que você quer que eles façam com determinado conhecimento ou técnica)
  • Atitudes (Que valores você quer que eles construam com determinado conhecimento)

Esses três objetivos devem estar bem  claros não somente para você, professor, mas também para os seus alunos.

Quando um professor começa uma nova unidade de estudo ou projeto com os alunos, ele deve esclarecer os objetivos e metas  de aprendizagem e fornecer critérios explícitos sobre como os alunos terão seu desempenho avaliado.

Isso cria uma ideia clara da trajetória que os alunos precisam percorrer para sai do atual estado e chegar no estado desejado.

É importante que durante toda a trajetória de desenvolvimento da sua proposta que os objetivos e metas sejam sempre lembrados. E não apenas no início.

Objetivos correspondem àquilo que você quer que seus alunos adquiram: um conhecimento, uma habilidade, um valor.

Metas são os meios com os quais você irá trabalhar para que seus alunos conquistem os objetivos propostos.

O objetivo é o alvo. A meta é o caminho.

Veja no infográfico abaixo um exemplo de como expor com claridade seus objetivos aos alunos:

Mas a clareza não se restringe apenas à definição precisa de metas e objetivos.

É importante que durante a aula você utilize de recursos que tornem sua comunicação mais direta com os alunos.

Nessa Era Digital em que vivemos, é exigido que a comunicação seja a mais rápida, objetiva e tenha um apelo que vincule o indivíduo à informação que está sendo transmitida.

Aqui vão algumas dicas bastante simples para que você possa comunicar com mais clareza com seus alunos:

Use um exemplo prático

Fornecer um exemplo prático que esteja relacionado à vivência cotidiana e ao universo cultural dos seus alunos pode ser muito útil, uma vez que muitos alunos são guiados por referências externas.

Por exemplo: para entender o que a frase “lazer é saudável” significa, pense em atividades que você gosta  de fazer durante o tempo livre da escola ou do trabalho.

Compartilhe uma experiência pessoal

Fornecer um exemplo da sua experiência em relação ao tema proposto ou atividade a ser desenvolvida.

Por exemplo: para entender o que resolver esta equação com mais segurança eu sempre utilizo essa técnica que para mim funciona muito bem

Forneça uma definição

Definir o termo que você está tentando transmitir é a forma mais óbvia de tornar claro o que quer.

Por exemplo: o termo “analogia” é definido como “uma comparação de uma coisa com outra coisa que tem características semelhantes.” É usado para explicar e esclarecer o significado, comparando diferentes coisas , conceitos, processos ou relações, a fim de evidenciar as semelhanças. Quero que vocês façam uma analogia entre A e B.

Faça uma analogia

Você mesmo pode fazer uma analogia para um conceito ou prática.

Por exemplo: gostaria que dividissem a apresentação usando o mesmo critério empregado pelo documentário que assistimos.

Ofereça uma comparação e um contraste

Compare o que está ensinando ou propondo com um algo semelhante ou oposto para fazer contraste.

Por exemplo: quero que realizem um experimento onde, diferente do anterior, o indicador de pH aponte um meio alcalino.

Faça referência à origem da palavra

Por exemplo: o termo “motivação” é derivado do “movere,” latino que significa “mover”. Quais são as três coisas que mais o motivam a fazer…

Faça ligações com o que foi aprendido anteriormente / informações mencionadas

Um bom meio de tornar uma ideia mais clara é fazer um recall de informações.

Por exemplo: o conceito de metáfora está relacionada com o que aprendemos sobre “analogia” na semana passada

Forneça meios visuais

Ilustre o que você está tentando dizer visualmente, com um desenho, imagem, diagrama ou gráfico, para esclarecer as suas explicações verbais.

Por exemplo: este gráfico ilustra a relação entre oferta e demanda.

#2: PROMOVA A INTERAÇÃO E A DISCUSSÃO COLETIVA

Quando você está assistindo a uma palestra ou participando de um curso, em qual situação você aprende melhor? Em encontros que são mais expositivos ou participativos?

O que aprendemos fazendo não esquecemos, e quando podemos interagir com os outros o aprendizado torna-se muito mais prazeroso e efetivo.

Por isso, aulas em que o debate e discussão entre os alunos são estimulados possui maiores chances de promover uma aprendizagem sólida e significativa.

A base da Teoria da Aprendizagem de Vygotsky está na ideia de que os conhecimentos são construídos por meio das interações entre as pessoas.

Construímos nossos conceitos, crenças e hábitos a partir da troca de experiência que temos com os demais indivíduos.

Nossa visão de realidade está profundamente ligada às trocas de experiências que tivemos com nosso meio cultural.

Quando trazemos esta visão para o contexto escolar e para dentro da sala de aula, acontece uma incrível mudança de foco.

O professor deixa de ser o centro de onde emana todo o conhecimento e todas as possibilidades de vivências, e o aluno passa a ocupar o espaço de protagonista.

Aliás, com toda a interatividade propiciada pelas novas tecnologias de informação e comunicação (as TICs), seria uma tarefa insana, quase esquizofrênica, um professor querer ser o foco de uma aula.

Passou da hora de se abandonar aquele modelo de aula expositiva em que se espera uma sala enfileirada, silente e atenta.

Atenção, professor: ESTA ESCOLA NÃO EXISTE MAIS!

Querer forçar esse modelo antigo é gerar um desgaste em ambos os campos.

Primeiro, o professor não conseguirá se sentir realizado numa atividade profissional na qual terá de batalhar, minuto a minuto, pela atenção dos alunos que estão interessados em outros meios mais eficazes e prazerosos de comunicação e aprendizagem.

Segundo, o próprio aluno se sentirá preso numa estrutura que não lhe diz respeito e, sem dúvida, não produzirá os resultados que se espera dele.

Normalmente o aluno reagirá ao modelo expositivo e centrado no professor de duas formas:

  • resistência ativa: indisciplina
  • resistência passiva: apatia

As duas formas de reação impactam negativamente na aprendizagem.

Todo o esforço – e luta – do professor para fazer valer seu modo de dar aulas é em vão.

Quase nada se aprende.

E aqueles que com isso conseguem algum aprendizado, é porque capturaram alguns alunos pela submissão ao empregar táticas autoritárias.

Mas será que não há outra forma?

Do ponto de vista da Pedagogia Sistêmica, a interação entre pares é essencial para que os diferentes sistemas que caracterizam os indivíduos possam trocar informações entre si para o desenvolvimento, cura e auto-reconhecimento.

Se você quiser saber mais sobre a Pedagogia Sistêmica e as relações humanas na escola clique aqui.

Quando o professor promove a interação entre os alunos os sistemas familiares de cada um deles se sobrepõem.

Informações semelhantes em dois sistemas entram em ressonância.

Por exemplo, se dois alunos possuem histórico de uso de drogas na família, uma vez em interação um com o outro numa atividade de valorização da saúde, pode acontecer do sistema do aluno A absorver a informação com mais facilidade que o sistema do aluno B.

Por estarem em interação e ressonância sistêmica, o aluno A, inconscientemente, facilitará a absorção da informação pelo aluno B.

Tudo por conta de uma simples identificação entre os dois sistemas.

Sob esta perspectiva, a interação entre os alunos torna a aprendizagem não só mais humana, mas muitas vezes curativa!

Um bom exemplo de atividade que pode suscitar esse tipo de ressonância é a seguinte:

Reúna seus alunos em quartetos e entrega a cada grupo frases que representam opiniões diversas sobre um determinado assunto (política, sexo, esporte, saúde, questão de gênero, meio ambiente).

Peça aos alunos que discutam primeiro entre si a frase e perceba como cada membro do quarteto reage ao que está sendo discutido.

Perceba onde há acordos e discordância entre eles. Onde há dúvidas e opiniões taxativas.

Explore aquele pequeno sistema criado pelo quarteto e depois passe pelos demais grupos.

Colha as percepções de cada um desses pequenos sistemas e tente identificar a qualidade de informação em cada um deles, busque a identidade deles.

Depois, una os grupos numa grande roda, formando um único sistema e coloque as impressões dos alunos e as suas em debate.

Veja o que acontece.

Será um momento muito rico em que todos, inclusive você, aprenderá muita coisa.

A ressonância entre pequenos e grandes sistemas criados em sala de aula, a partir das ressonâncias ocorridas no sistema que é cada aluno é um campo de experiências e trocas que promoverá um aprendizado mais profundo e significativo do que uma aula expositiva com definições já previamente escolhidas pelo professor.

Que tal colocar em prática uma modelo de aula assim?

#3: DÊ FEEDBACK

Com certeza você já deve ter observado que muitos prestadores de serviços, seja em seu ambiente físico ou virtual, possuem um espaço disponibilizado para que o cliente dê uma nota ao atendimento.

Isso faz parte de uma estratégia que vem sendo adotada tem algum tempo com o intuito de, entre outras coisas, recolher dados a respeito do desempenho do serviço prestado e da visão que os clientes tem da marca ou serviço.

Esses dados são importantíssimos na hora de redefinir objetivos e metas e alterar estratégias.

Objetivos, metas, estratégias.

Aqui estão elas de novo. Palavras que também coexistem no universo educacional.

Na atividade do professor, fornecer um retorno ao aluno sobre seu desempenho é algo que também tem a ver com objetivos, metas e estratégias.

Não se trata apenas de devolver as notas tiradas em provas e trabalhos.

É muito mais que isso!

Fornecer feedback ao aluno é dar uma noção – a mais precisa possível – de onde ele está no percurso em direção ao objetivo a ser alcançado.

É contabilizar os todos os passos dados pelo aluno, seus progressos e acertos, e olhar para o que ainda falta ser caminhado.

É fornecer informações claras sobre os conteúdos, habilidades e competências que foram adquiridos e os que ainda estão para ser desenvolvidos.

É ajudar o aluno a enxergar os diferentes aprendizados adquiridos até então e como isso impactará nos próximos passos a serem seguidos.

Dar feedback ao aluno garante:

  • a sensação ao aluno de que ele não está sozinho no processo
  • a noção ao aluno de como anda o seu desenvolvimento
  • a facilidade ao professor de enxergar as reais necessidades do aluno para conquistar os objetivos almejados
  • uma melhor definição das estratégias a serem seguidas no processo de ensino-aprendizagem

Para que você possa dar feedback aos alunos de forma correta, eficaz e sem constrangimento é importante que leve em conta o seguinte:

Seja imparcial

Existe um vício na profissão docente que é de fazer juízos de valor ou sentenciamentos morais dos alunos. Evite isso!

Busque apontar os comportamentos e acontecimentos relacionados à caminhada do estudante com o intuito apenas de corrigir rotas e orientar posturas mais eficazes.

Por exemplo: “Se você organizar melhor os dados do problema, fica mais fácil encontrar por onde começar a resolvê-lo” em vez “Seu exercício está uma bagunça”

Vá direto ao ponto

Ninguém suporta ouvir sermões, principalmente quando eles são de uma proporção maior do que o fato que os motivou.

Sermões geralmente são generalistas e seu aluno está necessitando de uma informação específica que o coloque num caminho mais adequado para o sucesso.

Portanto, em vez de gastar tempo com generalizações, seja específico.

Por exemplo: “Você errou a questão por que confundiu o conceito A com o B, veja que eles são opostos um ao outro” em vez de “Você errou por que não sabe nada sobre o assunto“.

Pense no aluno, não em você

O feedback deve ser voltado às necessidade dos aluno e não um momento de “lavar roupa suja”.

Jamais use esse momento para extravasar raiva, insatisfação, frustração, decepção ou qualquer outra emoção negativa.

Além disso, o professor deve ter um compromisso ético com seu estudante, para que os assuntos relacionados ao feedback não sirvam para alimentar fofocas e maledicências na sala dos professores.

Crie uma cultura de feedback

Se bem conduzido, esse processo pode se tornar algo apreciado pelo aluno.

Ajude a tornar o feedback ao solicitado, positivo, bem recebido. Evite tudo possa tornar esse momento uma forma de imposição.

Aja em cima do lance

Não deixe para amanhã a oportunidade de fornecer um feedback ao seu aluno.

Nós, seres humanos, temos a tendência de esquecer detalhes de acontecimentos e conversas com o passar do tempo.

Muitas vezes, detalhes desconsiderados pode tornar um feedback menos efetivo ou até mesmo equivocado.

Acompanhe os desdobramentos

Não pense que uma vez dado o feedback que a tarefa está cumprida. De forma alguma!

É necessário acompanhar o aluno e observar se o feedback foi mesmo incorporado.

Se suas orientações entraram por um ouvido e saíram pelo outro, com certeza nada mudará no comportamento e nos resultados apresentados pelo aluno.

É preciso acompanhar cada caso e ajustar, se necessário, o tom da conversa. Sem, é claro, incorrer em imposições e constrangimentos.

Um bom professor sabe dosar bem as palavras para ser mais incisivo sem perder a linha.

Lembre-se, firmeza é diferente de opressão!

#4: USE A AVALIAÇÃO FORMATIVA

Como seria uma corrida de Fórmula 1 se não houvesse quem cronometrasse o tempo dos treinos para montar o grid de largada?

Ficaria impossível definir quem teve o melhor tempo e classificá-los, não é verdade?

Agora, pense numa sala de aula.

Como podemos classificar os alunos em notas ou menções sem “cronometrar” cada passo dado por ele ao longo da sua preparação?

Isso nos coloca o fato óbvio de que a avaliação do aluno deve ser algo constante e durante todo o processo de ensino-aprendizagem.

Isso é o que chamamos de avaliação formativa.

Na verdade, o próprio processo de ensino-aprendizagem deve ser a avaliação formativa.

A avaliação formativa visa melhorar qualitativamente a aprendizagem dos alunos e não quantificar essa aprendizagem.

Ela é um processo e não um produto cuja função é descobrir o que e como o aluno aprende.

A partir da avaliação formativa se recolhe dados sobre a aprendizagem do aluno, os quais servirão de parâmetro para modificar o processo de ensino-aprendizagem.

Existem 3 questões que todo o professor precisa se perguntar para estabelecer um processo de avaliação formativa:

  • Para onde vou?
  • Onde estou agora?
  • Qual estratégia pode me ajudar melhor a chegar onde preciso?

As respostas a essas questões servirão de feedback para:

  • o professor ter uma noção da eficácia das aulas e atividades que desenvolve com os alunos
  • o aluno medir o grau em que sua aprendizagem está em relação àquilo que é esperado dele

Alguns exemplos de ações formativas são:

Não dê notas e sim comentários

Em vez de rotular uma atividade desenvolvida pelo aluno com uma nota, experimente apontar os pontos forte e falhos do trabalho, dando orientações claras para que ele possa reelaborar a atividade e fazê-la melhorar em qualidade.

É importante deixar claro aos alunos que o objetivo da atividade não é tirar nota, mas sim aprender.

Exemplifique com critérios qualitativos

Dê aos seus alunos modelos que preenchem e não preenchem as expectativas de aprendizagem, deixando claro quais critérios foram ou não atingidos.

Também deve orientar os alunos a comparar os diferentes estágios de desenvolvimento de um trabalho, ajudando-os a identificar o que falta ou o que pode ser melhorado

Retome (sempre!)

Jamais siga adiante antes de reservar um tempo para trabalhar aqueles tópicos em que boa parte da turma apresentou dificuldades.

É de crucial importância identificar e apresentar onde exatamente os alunos cometeram erros ou como desenvolveram um raciocínio equivocado.

Esse é o procedimento conhecido como análise do erro.

Avance

Proporcione aos seus alunos um pequeno desafio adicional para levá-los à próxima etapa de trabalho.

Se você tem uma ideia clara de onde seus alunos estão e se eles conseguem perceber com clareza o quão distantes ou próximos estão do que se espera deles, então fica fácil fazê-los seguir em direção ao próximo passo.

Se você percebe que a turma não avança, volte e tente descobrir onde eles ficaram estacionados.

É sempre a partir de onde eles estão que seu trabalho deve ser planejado.

#5: APLIQUE ESTRATÉGIAS METACOGNITIVAS

Você sabe o que é metacognição?

Com certeza já ficou com aquela voz na cabeça te condenando por um “fora” que você deu ou refletindo sobre alguns pensamentos.

Na prática, a metacognição é pensar sobre os próprios pensamentos.

Para nós professores a metacognição é útil para levarmos os alunos a pensar sobre como fazem as coisas, sobre como aprendem.

Muitas dificuldade de aprendizado se devem ao julgamento que o aluno faz de sua própria capacidade de raciocínio ou de desenvolvimento de situações de ensino-aprendizagem.

O exemplo mais claro disso é o famigerado bloqueio em relação à matemática.

Quando o aluno diz a si mesmo “não sei fazer nada em matemática” ou “matemática não entra na minha cabeça”, ele está na verdade realizando uma metacognição, um julgamento de si mesmo, tomando esse julgamento como uma crença, uma verdade quase absoluta.

O que se deve fazer aqui é substituir o chamado metarraciocínio negativo por um outro que seja positivo.

Se as crenças que carregamos são oriundas de experiências que tivemos, é claro que somente uma experiência diferente pode modificar uma crença indesejável.

Se aplicar ao aluno exercícios simples que o professor sabe que ele terá condições de fazer, ao realizá-los o aluno criará o metarraciocínio “eu posso fazer matemática”.

Por meio dessa mudança de crença inicia-se uma abertura para o desenvolvimento de potencialidades no ritmo específico do aluno.

Outro exemplo de metacognição aplicada à educação é a autoavaliação.

Imagine seu aluno podendo refletir sobre seu próprio aprendizado.

Ele poderia, por si próprio, encontrar os seus pontos fortes e fracos, identificar comportamentos proativos e procrastinatórios, tomar conhecimento do que sabe e do que não sabe.

Uma atividade que guie o aluno nesse tipo de reflexão é o que chamamos de autoavaliação.

A autoavaliação se presta a fazer um autodiagnóstico das dificuldades, conquistas e potencialidades do aluno, por meio da metacognição.

É importante deixar claro que autoavaliação é diferente de autonotação.

Não estamos falando aqui de pedir para o aluno dar-se uma nota.

A autoavaliação é uma prática reflexiva, intrapessoal e que visa elementos qualitativos, não quantitativos.

Vamos ver um exemplo que você pode aplicar com seus alunos.

O diagrama acima representa o que o sociólogo Kurt Lewin chamou de Forças em Campo.

Ele considera que o nível de desempenho é resultado da interação de forças opostas:

  • as forças dinâmicas, que são positivas, razoáveis, lógicas, conscientes e econômicas
  • as forças restritivas, que são negativas, emocionais, ilógicas, inconscientes e perdulárias

Do ponto de vista da Pedagogia Sistêmica, no sistema que é o aluno, ou a sala de aula, podemos identificar as forças dinâmicas e restritivas que estão diretamente ligadas aos resultados.

Uma excelente atividade de autoavaliação é fornecer esse diagrama aos alunos e solicitar que eles listem quais forças eles reconhecem em si mesmos que fazem com que avancem na aprendizagem e as que os impedem de avançar.

Num segundo momento, a partir dos dados levantados pelos alunos, o professor pode desenvolver uma estratégia abrangente que implicaria em remover ou enfraquecer as forças restritivas, ou transformá-las em forças dinâmicas.

Uma excelente técnica a ser aplicada aqui são as constelações sistêmicas.

O aluno escolheria dois outros que representassem as forças dinâmicas e restritivas, respectivamente. Durante a condução da atividade se exploraria os movimentos sistêmicos e as mudanças no campo com as alterações de posição dos representantes.

Como você pode ver, há um farto campo de experiências a ser exploradas com a metacognição e as constelações sistêmicas em associação.

Aliás, este é o objetivo do Educar Sistêmico.

Construir uma nova realidade educacional a partir de novas abordagens e práticas sistêmicas.

As 5 práticas inovadoras que descrevemos neste artigo não são as únicas possíveis e nem se esgotam em si mesmas.

A Pedagogia Sistêmica ainda é um campo de instigantes indagações e repleto de mistérios a serem desvendados.

À medida que avançamos nessas águas misteriosas, novas abordagens e técnicas surgem que vão aprimorando ainda mais nosso conhecimento ainda limitado sobre o universo fenomenológico.

Tenho certeza que você, professor inovador, quer se unir ao grupo de educadores que desbravarão esses novos campos de conhecimento e criarão técnicas que, aplicadas no contexto escolar, poderão gerar um salto de qualidade e nível de consciência na educação.

Por isso, esteja conosco e nos acompanhe nessa jornada.

Você pode contribuir com essa transformação!

Compartilhe este artigo com seus colegas e amigos e conecte mais pessoas no Movimento Sistêmico de transformação da educação.

O futuro conta também com você!

Um forte Abraço.

Carlos Harmitt


Fontes consultadas:

http://pt.slideshare.net/Frederik_Questier/institutional-strategies-for-educational-innovation-and-elearning

https://oupeltglobalblog.com/2011/10/18/8-easy-techniques-to-help-learners-practice-clarifying-their-explanations/

http://www.abed.org.br/congresso2009/CD/trabalhos/1552009182855.pdf

http://www.educacional.com.br/glossariopedagogico/verbete.asp?idPubWiki=9585

http://www.ibccoaching.com.br/portal/metas-e-objetivos/metas-objetivos-diferencas-exemplos/

https://www.linkedin.com/pulse/how-you-can-apply-force-field-analysis-achieve-your-goals-nasser


 

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Carlos Alberto Harmitt

Carlos Alberto Harmitt

Mestre em Educação e pesquisador do Pensamento Sistêmico e da Pedagogia Sistêmica, quer ajudar você a transformar a escola e a educação.

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